quinta-feira, 14 de julho de 2011

222 anos que a Bastilha caiu, e o culpado foi o pão?

"Por incrível que pareça, um dos fatos que pode ter sido o início da Revolução Francesa, teve como um dos protagonistas o pão. As revoltas populares, em Paris e no interior da França, tiveram início pelo aumento do preço do pão e, culminaram no dia 14 de julho de 1789, quando o povo saiu às ruas e invadiu a Bastilha."
Há exatos 222 anos a Bastilha foi tomada pelo povo dando inicio, então, a sua participação na chamada Revolução Francesa. Agora você pode estar se perguntando: Tudo isso porque o preço do pão aumentou? Obviamente que não. O problema foco da Revolução era o modelo totalitário de governo que a França vivia: O Absolutismo. Isso, é claro, associado aos problemas financeiros que os franceses vinham enfrentando devido aos privilégios concedidos à Nobreza e ao Alto Clero. A participação da França na Guerra de Independência dos EUA e as secas que o país vinha enfrentando agravaram ainda mais os problemas financeiros do país. A Bastilha, como era o símbolo do Absolutismo na França, foi o objeto escolhido pelo povo. A queda da Bastilha poderia significar, de maneira grosseira, a queda do Governo que tanto errava com o povo. Ao fim da Revolução, foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de inspiração iluminista e a qual o nome é razoavelmente autoexplicativo. Hoje vivemos em um regime de governo Republicano, onde quem nos representa é escolhido por nós e por voto direto e fechado, sigiloso. Mas mesmo possuindo um Governo escolhido diretamente por nós, sabemos que é praticamente impossível tudo sair como o planejado. E vemos isso todos os dias. Nossos representantes são displicentes, desinteressados e desinformados a ponto de não saber o que está acontecendo no país, mal sabem fazer o trabalho para que foram eleitos. Honestidade já é outro assunto que nem vamos começar a falar, porque usaria muitas linhas desse post. Vivendo em pleno século XXI não é aceitável que o Governo, eleito por nós, não se importe conosco. Ele deveria ser eleito por nós e para nós, contudo não é isso que vemos. É eleito por nós e para eles. Não estou aqui incentivando uma revolução como a Francesa, muito longe disso. O importante é a comparação. 222 anos depois, ainda vemos aspectos parecidos e inaceitáveis. A crise financeira é visível no Brasil e mesmo assim ainda estamos construindo estádios e vamos sediar a Copa de 2014. Enquanto bilhões -ou mais- de reais são gastos com futilidades -porque no estágio em que estamos, sediar alguma coisa é futilidade- os hospitais continuam lotados e o ensino das escolas públicas precário. Os franceses não tinham escolha e partiram para a Revolução, mas nós temos. Nós elegemos quem deve escolher as prioridades do país, para onde o dinheiro irá. Então, vamos escolher certo e, por favor, senhores políticos, pensem no que é mais importante: a saúde e a educação ou o prestígio advindo de futilidades? Enquanto estádios são construídos, o preço do nosso pão continua aumentando...

Fonte:.ufrgs.br/alimentus/pao/curiosidades/bastilha.htm